segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

De incertos somos todos

É engraçado. Todo dia realizamos atividades pré-selecionadas e estamos condicionados a pensar que nada de diferente acontece e, se acontece, geralmente tende para o lado negro da Força. O negativismo corre em nossas veias. Difícil aquele que consegue ser positivo o tempo todo. Fé cega e pé atrás. Parei para observar os últimos meses. Ociosidade tendo certa relevância em grande parte do tempo. Nada acontece, NADA! Minha injustiça com a vida só cresce. Mas, parando para analisar, muita coisa aconteceu, só não aconteceu o que eu mais esperava no momento, mas o que já esperei em outros tempos, aconteceu agora, nesses dias, e eu injusta nem percebi. Vida, perdoe-me, sou uma mera humana que ainda está na busca para um caminho melhor! Pode parecer discurso de um idealista, e é. Não é pretensão, nem querer ser melhor que os outros, mas buscar insistentemente melhorar. Difícil! Tarefa árdua pra quem convive com pessoas tão distintas. Creio que não é só minha vida que seja assim. Não posso agradar todos, tento agradar a maioria, mas acima de tudo, tenho que me agradar. A vida tem me mostrado que está me agradando por onde não enxergo. Mas as incertezas estão fazendo meus olhos se abrirem, lentamente. Quando pensei que nada tinha, muita coisa apareceu. Pessoas ressurgiram, sentimentos afloraram ainda mais, recebi ajuda de quem não imaginava. As coisas acontecem, o tempo passa e nós, em nossas atitudes mesquinhas, não percebemos. Claro, é mais fácil reclamar. Reclamar do outro é ainda mais fácil. Muitas vezes até prazeroso. Pode estar certo, pode estar errado, mas esse caminho eu não quero. Percebi que meu filtro para tolerância diminuiu em certa quantidade. Isso talvez seja ruim, ou não. O lado ruim é que minha paciência diminuiu e o lado bom é que não alimentarei um câncer. Os médicos mandam extravasar, o misticismo e espiritualidade aconselham a retensão de sentimentos negativos para transformá-los em positivos. Muito mais difícil, na minha opinião e mais difícil ainda medir qual escolher e em qual situação. Dizem por aí que o sentido da vida é ela não ter sentido. Discordo. Acredito que a vida tenha um sentido, pois caso contrário viver seria em vão. Sobreviver com indivíduos dificilmente "convevíveis" (neologismo by me) seria em vão, estudar seria em vão, trabalhar seria em vão e assim vai. Mas é esse sentido? Não sei o fim último, mas acredito que o meio e as reciprocidades têm uma grande importância nessa divagação "insônica" (mais um! logo terei que escrever com um dicionário). Olho para o céu e não vejo as estrelas todos os dias, mas sei que elas estão lá. Olho para minha vida e não observo os acontecimentos, mas sei que eles passam por mim e devo me ater, pois de vida superficial o mundo está cheio e eu não quero comprar mais essa.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

A covardia que se foi

A covardia que se foi, a coragem que você me devolveu! As chaves que perdi, O carinho que você me remeteu. Gosto quando me olha e quando sorri pra mim. Quando tenho que andar uma estação a mais pra te encontrar. De passar horas no aperto do transporte e não reclamar. Gosto da sua preocupação, de me ligar, querer me ver, sua atenção! O jeito de se importar e entender que tudo vai melhorar. Gosto do que me faz sentir, De estar boba assim. Gosto do jeito que pensa, como se expressa, como se desajeita. Gosto da sua imaginação e dos seus planos. Admiro sua história: seu presente, passado e (do nosso) futuro, da maneira que leva a vida, E de como que se tornou maduro. Gosto de pensar que eu tinha que te encontrar, que tudo que eu sempre quis não ficou só na imaginação. Que caminharemos juntos assim, sem muita preocupação. Gosto de como nos tornamos essenciais um para o outro, trilhando nossos destinos, eu continuando a esquisita e você meu bobo querido! Espero que goste desses versos simples, sem métrica e cheio de rimas pobres. Veio do coração de uma donzela destinado a um grande nobre :)

terça-feira, 14 de maio de 2013

Escolhas e bolhas

As escolhas que fazemos em nossas vidas muitas vezes nos surpreendem. Todos os dias temos que escolher: posso abrir meus olhos, levantar da cama ou posso continuar de olhos fechados e dormir mais um pouquinho. Bom, eu escolhi levantar da cama. Por que fazemos essas escolhas? Somos condicionados a sermos livres, já dizia Sartre. Nos esbarrando com as oportunidades o tempo todo, cabe a nós acatá-las ou não. Sair da zona de conforto, eis o lema que me perseguiu. Há 5 meses saí dessa zona. Não me arrependo, mas confesso sentir que elas são como bolhas. Uma escolha frágil que te deixa frágil e que se você não cuidar, ela estoura, se desmancha no ar. Não houve um dia em que eu passei sem refletir as minhas escolhas. E que escolhas que nós fazemos hein, ficar longe de quem a gente ama, na minha opinião é a que dói mais. A distância! Definitivamente dói demais falar disso. Estar longe de quem amamos é muito difícil, mesmo sendo mais perto do que imaginamos. É claro, basta um toque no celular ou uma chamada pelo facebook, estou ali falando com minha mãe ou meu pai. Mas e depois que a conversa acaba? E o vazio que fica? Mas paro e penso: eles estão vivos e isso basta! Passei algum tempo bem perto destas pessoas que amo mais que o impossível. Neste tempo eu vivia pensando: que vontade que sinto de sentir saudades. Agora que sinto saudades, penso: como eu não queria sentir essa saudade tão dolorida. É a tese, antítese e síntese da vida cotidiana: o querer e não querer. Talvez eu esteja fazendo drama demais com essa situação. Mas sou leonina cartesiana, vim pra esse mundo para torná-lo uma cena dramática onde sou a personagem principal. E na minha peça de teatro da vida, eu procuro transcender e pensar que se estou aqui agora é porque algo de melhor - que provavelmente vou escolher - vai acontecer. Não sei, mas nunca consegui pensar em acaso. Não é por acaso que existimos. Não é por acaso que a Terra gira em torno do Sol. Sejam essas teorias físicas ou espirituais, eu acredito que o acaso é um menino bobo com inveja do destino. Também não acredito muito em destino, ele só sente ciúmes do acaso e quer nos condicionar. Mas condicionados ou não, eu prefiro acreditar que nós temos escolhas. E a escolha é uma menina que anda de bicicleta pelas avenidas de São Paulo, rindo de todos aqueles que não a enxergam. Resolvi enxergar a minha escolha e quer saber? Ela é muito travessa e me faz chorar quase todas as manhãs. Se você encontrar a escolha passeando por aí, faça amizade com ela pra que ela não te pregue uma peça. Mas se a peça for de teatro, não seja coadjuvante, tome todas as rédeas e busque os sorrisos, por mais difícil que seja.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O "BEM SUCEDIDO"

Ontem me perguntaram qual era a minha concepção de "bem sucedido", eu disse de impulso que era "a quebra do capitalismo, viver do mais necessário possível, reforma agrária, acabar com a desigualdade social" e a mesma pessoa me perguntou "e vai viver de que?" e eu respondi "daquilo que a terra dá" e ela continuou "mas a terra não está dando mais nada". Para não prolongar a discussão, eu parei por aqui. Mas é claro que minha cabeça não parou de pensar. Ora, se a terra não dá mais nada, como que eu consegui me alimentar durante 24 anos e ainda assim sobrevivi? Mesmo que fosse criado em laboratório, não há nada que esteja no laboratório que antes não tenha passado pela natureza, ou seja, pela terra. Bom, diante dos fatos eu fiquei me questionando o que seria o tal "bem sucedido". É claro que dei uma resposta não muito concreta, mas penso que o ideal de sucesso esteja atrelado a felicidade. Não tem como falar de um sem falar do outro. Acontece é que os seres humanos (bípedes com encéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor...rs)inseridos no sistema vigente, acreditam e querem que os outros acreditem que a felicidade e o sucesso está diretamente relacionado ao acúmulo de capital, ou seja, ter muito dinheiro! Ontem tentaram me convencer disso, tentaram me vender uma proposta de felicidade vinculada ao bem estar da saúde. A indústria da saúde junto a indústria farmacêutica não tem dó hein, é o famoso pac man, ou topa tudo por dinheiro. Voltando ao tema, o "bem sucedido" pra mim é aquele que consegue abrir mão dos luxos materiais pra viver uma vida simples, com somente o necessário, se alimentar naturalmente, se exercitar, não visar riqueza material, ter muitos amigos, ler sobre tudo, ter um emprego que vise seu crescimento intelectual... daí, após tudo isso, posso dizer que o crescimento desse bem sucedido visará para uma postura mais esquerdista (como foi minha resposta acima). Essa reflexão não é uma apologia aos estados de direita ou esquerda, mas uma reflexão acerca do que é necessário para você sobreviver bem nesse sistema pac man. Sustentabilidade também é um termo que tem lugar nesse texto. Pessoas costumam vender essa ideia sem falar no "não produzir, não consumir exacerbadamente", não falam do fim do sistema capitalista. Ai ai, santa hipocrisia. Também me sinto hipócrita por ter um ideal de bem sucedido e ainda não consegui chegar lá. Ainda não sou bem sucedida, tenho minha felicidade em ato. Ainda tenho um emprego que visa capital, tenho carro e vivo com meus pais. É um processo gradativo até chegar no meu lugar ao sol e ter uma casinha no pé da cachoeira. Pode ser utopia, mas o que seriam dos sonhos se as utopias não existissem no ideário? Não consigo escrever esse tipo de coisa sem citar a célebre frase do livro Le petit prince "o essencial é invisível aos olhos"... e você aí, querendo acumular capital enquanto tem gente que nunca comeu nem mesmo um ovo frito.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Sobre Cotas: Texto redigido por minha aluna do 3º ano do ensino médio, Vitória Moura Leite

Em se tratando de cotas, os argumentos são geralmente para o lado negativo da coisa. Os alunos de escolas particulares geralmente se sentem injustiçados, boicotados pelo o governo, vendo todo seu esforço durante o ano letivo para passar no vestibular sendo diminuído pela desigualdade no país. Todos sabemos que não é a melhor solução para o problema da educação no país, mas sabemos também que é a "solução mais viável por hora", entretanto, ainda todos também sabem que o país faz muita vista grossa para esse problema e, por isso, a hora adequada para acabar com essas restrições para o ingresso no ensino superior, ao que indica a vontade tanto do governo quanto da população, nunca chegará. Mas de todas as reclamações que li sobre, uma me deixou particularmente intrigada. Muitas pessoas afirmam que, com as cotas (leia-se cotas para escola pública, não estou falando das raciais) há um preconceito quanto a medição da capacidade dos alunos, ou seja, eles evidenciam com isso o fato de que alunos de escolas públicas e escolas particulares têm capacidades diferentes, e ficam indignados, acham o fim do mundo. No entanto, o conhecimento, especialmente o "voltado para o vestibular", é adquirido por meio de estímulos (e por estímulos entenda-se uma escola na qual professores estejam presentes e ensinando à medida que o ambiente proporcione boa convivência) e os estímulos não são os mesmos nas duas instituições, não por culpa de professores (claro que há casos e casos), mas pelo fato de que todas as mazelas sociais do Brasil se evidenciam num lugar em que a diversidade humana se torna limpa e sem maquiagens. A discrepância abrange questões como a carga horária, e até o fato de que, muitas vezes, professores formados em uma disciplina ministram outra! Hoje mesmo discutimos uma coisa parecida na aula de matemática, sobre como esse ensino voltado para o vestibular tira a importância do real conhecimento, você aprende um massete matemático para otimizar seu cálculo, você não resolve o exercício analisando a situação, você o resolve porque viu em um exemplo que uma forma x é mais rápida que a forma y, decora aquilo e passa no vestibular. Isso significa que você é mais capacitado que qualquer outra pessoa? Não! Todos temos as mesmas capacidades, o modo como elas são desenvolvidas é que difere. E é por isso que existem essas cotas para alunos das escolas públicas, eles não tem as mesmas oportunidades que nós, especialmente nós onze, que temos 6 aulas de matemática por semana, 7 de língua portuguesa, dentre outras... Acredito que não deveríamos nos revoltar de tal forma contra as cotas, há outros argumentos que as desmascaram de forma muito mais embasada. Sabemos muito bem porque elas existem e sabemos que elas não deveriam existir, isso nos basta. Reclamar não cabe a nós. Fomos de alguma maneira privilegiados. É dever do governo prover uma educação assim como a nossa para todos, mas por motivos que todos também sabemos, isso acontece. Não é nossa tarefa julgar os alunos de escolas públicas de menos capacitados, ou jogar no governo esse preconceito talvez existente por parte de alguns contra eles. Sempre pensei que as cotas no Brasil deveriam ser estabelecidas de tal maneira, e concordo com 50% para cada lado. O nível do ensino superior não cai por isso, pelo contrário, serve até como estímulo. É preciso que todos se lembrem que a questão aqui não é capacidade e sim OPORTUNIDADE. Desabafo de alguém que ficou profundamente pensativa após ter lido tantas pessoas dizerem que as cotas medem capacidade... Ainda assim o outro texto tinha ficado melhor :( Enfim, é isso... Essa é uma questão legal de debatermos :)

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Um brinde à covardia

Maria era jovem, diferente, gostava de observar mapas, de leituras non sense e ficar sozinha. João era turrão, inteligente, gostava de ver filmes japonês. Duas pessoas muito diferentes, o que os uniu foi o gosto musical. Numa noite qualquer em um lugar qualquer eles se entreolharam e viram que havia algo de diferente. João quis comprar Maria. Deu-lhe presentes e conversa boa. Maria sentiu-se importante. João queria mais, Maria não sabia o que queria. Certa vez João convidou Maria para ir em sua casa. Maria foi, como quem não quer nada. João disse com todas as letras que queria entrar em Maria e ela, sem muito dizer, na verdade queria o mesmo. Na manhã seguinte João acordou estranho. Colocou Maria dentro de um carro e a levou para longe. Maria ficou sem entender, estava angustiada. João a deixou perto de pessoas conhecidas, disse que ela estaria segura e poderia ficar despreocupado. Maria ainda estava sem entender, com o gosto estranho da nostalgia de ontem. Tempo se passou e João nunca mais quis Maria. Ele simplesmente sumiu. Maria ficou ali, confusa e com medo. Maria tentou fazer algo por ela, não quis mais procurar João, ela pensava que tudo tinha sido um sonho, ou coisas da sua imaginação. Ela não conseguia acreditar que João se interessara por ela. Maria sempre teve complexos e sua baixo estima sempre me incomodou. Apesar de tudo, até que era uma boa pessoa. João? Nunca mais deu notícias, as vezes eu realmente penso que Maria criou toda essa história, mas não. João abandonou mesmo Maria sem avisá-la e sem motivos que ela possa compreender. Maria, por sua vez, fez uma promessa a si mesma: prometeu nunca mais se envolver com qualquer João que tivesse bom gosto, boa conversa e presentes. Maria queria ser autossuficiente. Ainda não sei se ela conseguiu. Mas por que Maria fez isso? Por que ela queria se afastar de todos por uma única experiência? Ora, Maria é covarde! Ela tem MEDO. Isso mesmo, M-E-D-O. Mas medo de que? Medo de sofrer? Viver é sofrer, Maria, aprenda isso. Mas Maria é intensa, não gosta de "só uma noite". Ela renunciou a liberdade, renunciou as boas conversas, renunciou o "carpe diem", ela quis renunciar sua vida! Pára, Maria, que coisa chata! Eu não a entendo. Maria vive sem querer viver e age muitas vezes por impulso de sua consciência (ou seria de seu subconsciente?). Não sei. Mas Maria precisa dar um jeito em sua vida e não depositar todas suas esperanças em atitudes alheias. Ela precisa perder as chaves.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Gotas: não quero que entrem no meu copo.

Quando se é de uma classe menos favorecida, é difícil sobreviver na sociedade sem a cobrança alheia e a autocobrança de que se tem que trabalhar muito para ganhar dinheiro, isso seria um caminho para a "felicidade". Quando se pensa contra esse fato, daí você sofre as consequências. Você tem que ganhar dinheiro honestamente, não importa como, não importa se você gosta do seu emprego ou não, mas você tem que ganhar dinheiro. Está feliz? Não importa, você ganha quase 1.500 reais, quem na sua idade ganha isso? Você é nova, acabou de sair da faculdade, ganha bem, então você necessariamente tem que ser e estar feliz com sua situação. Daí que você se sente forçada a trabalhar, porque pra ser feliz precisa de muito dinheiro. Então você obedece tudo, se envolve com coisas e em situações que NUNCA quis, mas, NÃO IMPORTA, você tem um salário pra sobreviver na sociedade selvagem que te cobra coisas das quais você não se importa no momento. Você não tem opção. Pessoas falam "não se sinta obrigada", "se quiser sair, saia, mas pensa bem porque o SALÁRIO É MUITO BOM"... mas e a minha felicidade em ato a qual busquei? Pra que me formei? Pra ganhar dinheiro? Não, se eu quisesse ganhar dinheiro eu montaria um motel ou uma igreja, com certeza o lucro é bem maior do que dar aulas. Óbvio que quero ganhar bem, aliás, o suficiente pra eu sobreviver, mas quero fazer isso sorrindo e não sofrendo gastando minha saúde em prol de coisas as quais não gosto e nunca quis. Depois ficarei velha e vou olhar pra trás e ver o tempo que perdi fazendo coisas para ganhar dinheiro. Não, não quero que essa gota caia no meu copo. Quero abandonar o barco, mas eu preciso de dinheiro :(